terça-feira, 28 de setembro de 2010

Leitura Orante de Bíblia


A LECTIO DIVINA sob um outro prisma
Pe. David de Jesus

“Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo” (São Jerônimo)

A leitura orante da Palavra nada mais é do que a maneira como gerações de judeus e cristãos leram as Sagradas Escrituras, procurando nelas uma palavra do Deus vivo para sua vida, em cada momento de sua história pessoal, comunitária e social.

Trata-se de uma leitura feita em clima de diálogo com o Senhor, em clima de oração, prestando atenção tanto ao texto bíblico quanto à realidade atual. O lugar privilegiado deste diálogo com o Deus vivo é a comunidade reunida em Assembléia litúrgica (liturgia da Palavra). Mas pode ser preparado e prolongado com a leitura individual. A leitura orante não é possível sem a orientação do Espírito Santo.

Por isso, invocamos sua ajuda antes de iniciá-la. e nunca nos esquecemos de que no centro de toda a nossa compreensão, seja da Bíblia, seja da realidade atual, está Jesus Cristo, a Verdade e a Vida.


Os “passos” da Leitura Orante:

O caminho da acolhida da Palavra pode ser comparado a uma escada de 5 degraus. Em latim, convencionalmente chamamos de LECTIO (leitura), MEDITATIO (meditação), ORATIO (oração), CONTEMPLATIO (contemplação), COMMUNICATIO (comunicação).

Antes da leitura, é importante que nos recolhamos e peçamos humildemente a ajuda do Espírito Santo. A Leitura Orante supõe participação na comunidade e nos trabalhos (missão) que ela faz dentro e fora da Igreja.

LECTIO
(O que a palavra diz em si mesma)

Ler e reler o texto, baixinho e em voz alta; escutar o texto (alguém está falando!).

Prestar atenção a cada palavra, às idéias, às imagens, ao ritmo, à melodia. Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito). Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.

MEDITATIO
(o que a Palavra diz HOJE para mim)

Repetir o texto (ou a parte que mais gerou interesse) com a boca, a mente e o coração; não “engolir” logo o texto e sim mastigá-lo, ruminá-lo, tirando dele todo o seu sabor. Não ficar só com as idéias que contém mas deixar que as próprias palavras mostrem sua força.

Penetrar no texto e interiorizá-lo, compreendê-lo, interpretá-lo a partir de nossa realidade; indentificarmo-nos com ele: perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos.

Trata-se de atualizar o texto: perceber como ele acontece hoje em nossa realidade pessoal, comunitária e social; perceber qual a palavra que o Senhor poderá estar nos dizendo.

ORATIO
(O que a Palavra me leva a dizer)

Deixar brotar de dentro do coração tocado pela Palavra uma resposta ao Senhor. Dependendo da Leitura e da meditação feita, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão…

CONTEMPLATIO
(“O Senhor disse e tudo foi feito: ele ordenou e tudo existiu” Sl 32,91)

A Bíblia não usa o verbo contemplar e sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de Ele ser e agir, oo quanto Ele é bom e o quanto faz por nós. supõe uma entrega total na fé. Passa necessariamente pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai!”), que se encontra do lado dos pobres.

COMMUNICATIO
(Destinatário da Palavra é o povo de Deus)

A communicatio é compartilhar e fraternizar, santidade e missão. A partir do que o Senhor fez e falou ao nosso coração, levar ao povo sedento da Palavra de Deus e da manifestação dos seus santos.

Na Liturgia, durante o canto de um salmo ou de um hinos, estes degraus acontecem praticamente ao mesmo tempo. A LECTIO e a MEDITATIO dependem mais de nossa vontade, de nossa atenção. Os demais dependem mais da Graça de Deus, do Espírito Santo que trabalha em nós. Comece já sua Leitura orante e verás em sua vida o acréscimo do Deus Vivo…

LEITURA ORANTE DA BÍBLIA OU LECTIO DIVINA
PRIMEIRA FORMAÇÃO
A leitura orante da Bíblia, ou LECTIO DIVINA, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e sua vontade, podemos produzir frutos espirituais em nossa vida. Santa Terezinha do Menino Jesus dizia, em seu período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela buscava no Evangelho o alimento da sua alma.

OS PASSOS DA LECTIO DIVINA:
Oração Inicial:
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém.
Leitura da Palavra de Deus:
Leia, com calma e atenção, o Evangelho do dia. Se for preciso, leia quantas vezes forem necessárias. Então procure identificar as coisas importantes deste trecho da Bíblia: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. Você conhece algum outro trecho que seja parecido com este que você leu? É importante que você identifique tudo isto com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Notícia que este trecho traz!

Meditar a Palavra de Deus:
É o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais da Palavra de Deus: é hora de saborear a Palavra de Deus e não apenas estudá-la. Você, diante de Deus, deve confrontar este trecho com a sua vida. Feche os olhos, é preciso concentrar-se.

Rezar a Palavra de Deus:
Toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve, se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e da esperança.
Contemplar a Palavra:
Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença, misteriosa sim, mas sempre presença. É um momento onde se permanece em silêncio diante de Deus. Se Ele o conduzir à contemplação, louvado seja Deus! Se Ele lhe der apenas tranquilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você for um momento de esforço de querer estar na presença de Deus, louvado seja Deus!

Conservar a Palavra de Deus na sua vida:
Leve a Palavra de Deus e o fruto desta oração para a sua vida. Não se preocupe se alguma coisa não for bem, um dos frutos da Palavra de Deus é a noção do erro e a conversão pela sua misericórdia. O importante é que a semente da Palavra de Deus produza frutos e que o povo de Deus possa ser alimentado pelos testemunhos de fé, esperança e amor.

Termine com a oração do Pai Nosso e três Ave-Marias, consciente de querer viver a mensagem do Reino de Deus e fazer a Sua vontade.

SUGESTÃO PARA UM PROGRAMA DE VIDA ESPIRITUAL:
1º – Todos os dias reserve no mínimo de 15 a 20 minutos para oração pessoal com a Bíblia. Aos poucos vá aumentando este tempo.
2º – Faça uma visita semanal ao Santíssimo Sacramento.
3º – Nunca falte a missa dominical.
4º – Confesse regularmente.
5º – Reze diariamente o terço, se não for possível recitá-lo de uma só vez, faça-o em partes durante o dia, até completar as cinco dezenas.

(Fonte)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Catequista incondicional
 
Se há uma coisa que me entristece na nossa Igreja é ver pessoas colocando condições para o serviço à Deus. São coisas como “eu só vou participar se fizer tal coisa”, “eu só fico na catequese se eu ficar com fulano”, “eu só dou catequese se for com tal turma”. Essas coisas me entristecem e me revoltam porque essas pessoas não têm nenhuma noção do amor de Deus para nós. Por isso vai aqui mais do que uma reflexão, vai um desabafo...


Caríssimos, entendamos o seguinte: Deus nunca pediu, não pede e nunca pedirá nada em troca do amor que Ele nos dá. Ele não se preocupa nem se você o ama de verdade, Ele ama incondicionalmente qualquer criatura que ele tenha criado, principalmente o ser humano. Criou tudo na terra para o homem, aí o que o homem faz? O homem nega à Deus, desobedece, peca, cai no pecado e sai de presença de Deus.  Aí então vive errante buscando preencher o vazio que ficou em seu coração depois que Deus saiu de sua vida. Deus então resgata o homem se fazendo humano para ensiná-lo a ser divino e nos dá como herança a Igreja por meio do Espírito Santo para ser vivida em comunidade. Nos chama para o serviço, nos mostra que o caminho para o céu passa pelo serviço ao reino e aí o que homem faz de novo? Começa a se perder achando que é a figura central da evangelização, acreditando que é condição “sine qua non” para tudo.

Nós não podemos achar “que sem mim, nada podeis fazer”. Isso é uma blasfêmia das grandes que muitas pessoas cometem. O problema é que é comum, observe que quando as pessoas fazem promessa, parecem  estar negociando com Deus algo que Ele precise com algo que você precise e agora é hora de fazer uma troca. Perceba ainda que você está em vantagem na negociação, porque Deus sempre tem que cumprir a parte dele primeiro, pra depois você cumprir a sua.  Isso é absurdo, estamos nos colocando numa posição que não é nossa de direito.  

Deus não atenderá os nossos pedidos por meio de promessas, Ele não se alegrará conosco quando nos vangloriamos por nós mesmos. Deus nos atenderá a medida que merecemos e que temos maturidade espiritual para receber. Deus se alegra quando nos gloriamos nos Senhor (Cf. 1 Cor 1,31) e só temos a importância que temos porque Deus “QUER” precisar de nós. Quem somos nós para acharmos que Deus precisa de nós para ser deus. Ele é Deus porque é Deus e não depende de nós para isso. É muita presunção, prepotência e egoísmo nosso achar que Deus precise de mim ou de você pra alguma coisa.
É absurdo colocar obstáculos entre nós e Deus por meio de condições, parecendo criança mimada que bate o pé e só faz o que o pai pede depois que ganha um doce. Quem faz isso ainda não entendeu o processo da Graça, não entendeu o Projeto Divino e não sabe imitar Jesus.

Nós estamos aqui para nos pôr em serviço, seja qual for, desde limpar o chão até estar ao lado do sacerdote no altar. E nenhum serviço é mais ou menos importante, todos nós formamos o corpo que se une com a cabeça que é Cristo. Agora, como o próprio São Paulo dizia, se a perna quiser ser braço, porque não acha digno ser perna, ou se o braço quer ser pescoço, para estar mais próximo da cabeça ou coisas parecida, nós nunca seremos um corpo perfeito.

Então caríssimos, se coloque à disposição naquilo que Deus te chama e não coloque condições para esse serviço. Seja incondicional e lembre-se: “Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17,10)

Pense nisso!

Por: FERNANDO LOPES
Arquidiocese de Cuiabá - MT
Coord.Pastoral da Catequese / Ministro Extraordinário da Palavra de Deus / Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística

Catequista incondicional
 
Se há uma coisa que me entristece na nossa Igreja é ver pessoas colocando condições para o serviço à Deus. São coisas como “eu só vou participar se fizer tal coisa”, “eu só fico na catequese se eu ficar com fulano”, “eu só dou catequese se for com tal turma”. Essas coisas me entristecem e me revoltam porque essas pessoas não têm nenhuma noção do amor de Deus para nós. Por isso vai aqui mais do que uma reflexão, vai um desabafo...


Caríssimos, entendamos o seguinte: Deus nunca pediu, não pede e nunca pedirá nada em troca do amor que Ele nos dá. Ele não se preocupa nem se você o ama de verdade, Ele ama incondicionalmente qualquer criatura que ele tenha criado, principalmente o ser humano. Criou tudo na terra para o homem, aí o que o homem faz? O homem nega à Deus, desobedece, peca, cai no pecado e sai de presença de Deus.  Aí então vive errante buscando preencher o vazio que ficou em seu coração depois que Deus saiu de sua vida. Deus então resgata o homem se fazendo humano para ensiná-lo a ser divino e nos dá como herança a Igreja por meio do Espírito Santo para ser vivida em comunidade. Nos chama para o serviço, nos mostra que o caminho para o céu passa pelo serviço ao reino e aí o que homem faz de novo? Começa a se perder achando que é a figura central da evangelização, acreditando que é condição “sine qua non” para tudo.

Nós não podemos achar “que sem mim, nada podeis fazer”. Isso é uma blasfêmia das grandes que muitas pessoas cometem. O problema é que é comum, observe que quando as pessoas fazem promessa, parecem  estar negociando com Deus algo que Ele precise com algo que você precise e agora é hora de fazer uma troca. Perceba ainda que você está em vantagem na negociação, porque Deus sempre tem que cumprir a parte dele primeiro, pra depois você cumprir a sua.  Isso é absurdo, estamos nos colocando numa posição que não é nossa de direito.  

Deus não atenderá os nossos pedidos por meio de promessas, Ele não se alegrará conosco quando nos vangloriamos por nós mesmos. Deus nos atenderá a medida que merecemos e que temos maturidade espiritual para receber. Deus se alegra quando nos gloriamos nos Senhor (Cf. 1 Cor 1,31) e só temos a importância que temos porque Deus “QUER” precisar de nós. Quem somos nós para acharmos que Deus precisa de nós para ser deus. Ele é Deus porque é Deus e não depende de nós para isso. É muita presunção, prepotência e egoísmo nosso achar que Deus precise de mim ou de você pra alguma coisa.
É absurdo colocar obstáculos entre nós e Deus por meio de condições, parecendo criança mimada que bate o pé e só faz o que o pai pede depois que ganha um doce. Quem faz isso ainda não entendeu o processo da Graça, não entendeu o Projeto Divino e não sabe imitar Jesus.

Nós estamos aqui para nos pôr em serviço, seja qual for, desde limpar o chão até estar ao lado do sacerdote no altar. E nenhum serviço é mais ou menos importante, todos nós formamos o corpo que se une com a cabeça que é Cristo. Agora, como o próprio São Paulo dizia, se a perna quiser ser braço, porque não acha digno ser perna, ou se o braço quer ser pescoço, para estar mais próximo da cabeça ou coisas parecida, nós nunca seremos um corpo perfeito.

Então caríssimos, se coloque à disposição naquilo que Deus te chama e não coloque condições para esse serviço. Seja incondicional e lembre-se: “Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17,10)

Pense nisso!

Por: FERNANDO LOPES
Arquidiocese de Cuiabá - MT
Coord.Pastoral da Catequese / Ministro Extraordinário da Palavra de Deus / Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística